No meio do mundo! Macapá – Amapá

Quando comecei a pesquisar os festivais para esse projeto e me deparei com esse no Amapá, que até então, eu não sabia nem bem onde era, e estava tão afoita (em busca de festivais parceiros em pouquíssimo tempo que tinha para fechar o projeto antes do fechamento do edital) que nem pensei muito, nem olhei no mapa.

Com a aprovação do projeto, depois com a confirmação que Macapá estaria mesmo no roteiro e, principalmente, com a aproximação da viagem é que comecei a retomar toda a geografia brasileira na minha cabeça e a perceber que seria longe mesmo. Tive que olhar o mapa e me espantei vendo que era longe mesmo mesmo. Quase na guirlanda francesa, na groenlandia francesa, digo na Guiana Francesa.

A vinda em si, foi muito tranquila. O voo de São Paulo até aqui tem aproximadamente 5 horas de duração, com uma paradinha em Belém. O trajeto entre Belém e Macapá dura 40 minutinhos de avião, de barco são 24 horas pelo rio Amazonas, e só tem esses dois acessos para chegar até aqui.

Fui recebida pela Antoniele, coordenadora do Encontro e da Cia. Trecos InMundos, que organiza o tudo e pela mãe dela, Rute, também palhaça, atriz, contadora de histórias, professora, guia de turismo, fotógrafa, motorista etc, etc. Logo na chegada elas já me fizeram entender que aqui não era o fim do mundo, não. Era o meio do mundo!

Eu não tinha muita expectativa do que ia encontrar aqui, mas também não era dessas pessoas que achava que ia aterrissar no meio da selva amazônica. Pensava, é uma capital, oras! De fato, Macapá é a capital desse estado que tem apenas 18 municípios, é uma cidade espalhada, não muito verticalizada. E tem o Rio Amazonas aqui dentro. Me falaram que é a única capital em que o rio forma uma praia e a maré sobe e baixa como no mar. Com direito a orla, avenida beira rio e tudo. O rio e o clima dos trópicos fazem todos os dias por aqui serem quentes! Muito quentes… E úmidos como há muito eu não sentia. Os óculos embaçam, o celular fica com a tela úmida como se estivesse dentro do banheiro esfumaçado de vapor.

No primeiro dia a família Xavier, que me recebeu aqui com o maior carinho do mundo, (e por isso eu não esperava e sou muito grata) me levou para um arraial! Com fogueira e muitas delícias juninas típicas do norte. Provei o vatapá do norte, mas me aconselharam a não começar pela maniçoba, pelo que eu entendi é tipo uma feijoada, mas leva uma folha (acho que de macaxeira) no preparo. E temperos fortes. Resolvi não arriscar!

Mas não tive escolha quanto a quadrilha! E lá fui eu dançar uma quadrilha improvisada e muito animada! E, olha, não sei se é porque vim lá do Sul ou se porque não sou tão experiente em quadrilha, mas tem passos como MARESIA, SERROTE e COSTURA  que são incríveis, difíceis e eu nunca tinha visto (e muito menos dançado). Foi uma delícia, com muito suor envolvido!

Os Xavier (reres) fizeram questão de me levar para conhecer os principais locais turísticos daqui. E logo no primeiro dia, antes mesmo de começar o trabalho, já fui tomar banho de rio num balneário aqui que fica numa área de quilombos. Deu pra ficar de molho um tempinho em Curiaú antes de começar a semana pra valer.

De turismo ainda teve Fortaleza de São José de Macapá e o Marco Zero, onde passa a linha do equador e é possível estar com um pé em cada hemisfério ao mesmo tempo. Logo atrás tem um estádio de futebol que a linha do meio de campo segue a linha do equador, fazendo com que cada time jogue num hemisfério!

Provei peixe, farinha e açaí! E esse último, puro, in natura e depois com farinha e açúcar. Diferente do que a gente come no sul, mas muito gostoso. E aqui eles comem isso a qualquer hora, inclusive junto com as refeições salgadas.

A oficina aconteceu em três dias, só para mulheres! E foi um momento bastante especial! Estar entre mulheres tem sido bom! A gente consegue jogar, rir (ou chorar) e trocar de um jeito mais próximo, entendendo uma a outra. Não sei explicar! Sei que foi reenergizante estar entre mulheres tão lindas, tão fortes e tão particulares nas suas vivências. Ao mesmo tempo em que me sinto sugada ao deixar muito da minha energia com elas, saio renovada dos nossos afetos.

Acho que consegui ajustar uma linha de workshop para seguir. Chamei de Palhaçaria e Afeto. E venho dizendo que se não for para afetar, nem vou. Entendendo a palhaçaria por esse viés de encontro com o outro e de como afetar e se deixar afetar pelo outro e ser modificado por esse encontro. E buscando a verdade, a conexão e a exposição tão próprias da palhaça de um jeito sutil, carinhoso, cuidadoso! Sinto que é uma pesquisa que tem um longo trecho a ser percorrido. Mas sinto também que encontrei um caminho.

E ainda teve o espetáculo! Montei tudo com a ajuda do pessoal daqui. Estava sozinha, sem técnico! Mas o Sandro, da Cia Trecos InMundos me ajudou nisso. Ensaiamos ao longo do dia para acertar tudo para a apresentação que seria às 19h. E foi uma delícia! Tenho me sentido bastante à vontade em cena e isso é ótimo! A estrutura já está melhor definida na minha cabeça e, com isso, consigo brincar mais com a plateia, ouvi-la melhor e saber o que aproveitar das coisas que vão surgindo. E sempre surgem muitas coisas legais! Dessa vez teve um bicho querendo entrar em cena, tipo um inseto gigante, eca. Sobrevivi! E uma repórter que insistia em entrevistar as pessoas e fazer sua reportagem quase de dentro da cena. Brinquei com isso também. Estava bem cheio e todo mundo rio muito, foi ótimo!

Volto pra casa feliz da vida com esses dias vividos aqui! E agradecendo bastante por essa oportunidade. E logo tem mais! Mais destinos, mais apresentações, porque afinal de contas…

Frida que segue…

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