Portugal Parte 8 – Lisboa

Ah que tudo estar nessa cidade e ainda ter a chance de apresentar meu espetáculo ali! Que emoção! Óbvio que comecei a ficar tensa logo que cheguei, normal. Chegamos no final da tarde de quinta-feira, nos instalamos e já demos uma passeada na noite de Lisboa! Quanta gente, misericordja!

Na sexta de manhã levamos os materiais do cenário para a Casa do Coreto, onde seria a apresentação no dia seguinte. Eu estava ansiosa por conhecer o espaço e me ambientar por ali. Maaaaaas, Marina não estava nem um pouco afim. Ela não queria sair de casa. Natural, fim de viagem, estávamos tendo dias corridos. O dia anterior tinha sido uma pauleira. Ela só queria sossego. Eu respeitei vários momentos dela em que precisou descansar. Fiquei vendo desenho na TV enquanto queria estar passeando. Mas, dessa vez não dava para respeitar.

Eu tinha que levar as coisas, tinha que ver o espaço. Então, ela teve que ir. Mas, ela é uma criança e a compreensão é outra. Então, foi chorando desde a hora que saímos de “casa”, por todo o caminho no Uber (o motorista ficou até preocupado), e só parou quando achou livros na Casa do Coreto e se distraiu. Se você é mãe sabe o quanto um choro interminável de um filho em público pode ser assustadoramente irritante. Mas, num exercício lindo, me segurei. Segurei o Lucio e deixei ela chorar todas as pitangas que precisava até se sentir melhor. (não amiguinhos, não sou sempre esse exemplar de buda na Terra, tá! Mas, dessa vez, resolvi não entrar na dela e foi o melhor que fiz).

Nesse dia deixamos a luz pré-montada. Conversamos com a Maria João e com a Ana, responsáveis pelo espaço. Me senti muito acolhida! É um espaço lindo, pequeno, intimista! Com essa carinha de alternativo. E almofadas vermelhas para as crianças sentarem na plateia (me lembrou muito o Triolé, espaço que mora no meu coração onde o Ao Ponto nasceu).

Seguimos para mais um dia de passeio e turismo, dessa vez em Lisboa, dessa vez com a melhor guia de turismo que poderia encontrar, minha prima Érica, que mora nessas bandas e me ajudou em cada segundo dessa aventura, mesmo quando nada ainda era tão certo! Amo você <3!

Anda, anda, sobe ladeira, metro, comboio, pastel de Belém e por aí vai! Mas, no dia seguinte, o sábado da apresentação, eu já estava uma pilha de novo. Ai como eu fico nervosa, que que é isso… Respirando fundo o dia inteiro e tomando floral (Vivah, maravilhosa, obrigada!).

Aí, nem sempre a coisa é tão fácil como parece. Tem que ter uma coisinha pra dar emoção, né? E teve. Uma emocionante final de campeonato português de futebol que demorei a entender o funcionamento apesar de ter uma dinâmica parecida com o campeonato brasileiro (que eu também não entendo).

Não precisei entender muito para perceber que a galera estava animada. A torcida era grande e a chance do Benfica (maior time de lá, acho) ganhar era grande, e eles ainda jogariam em casa. E adivinha onde é o estádio do Benfica? Sim, bem bem bem próximo da Casa do Coreto, onde seria minha apresentação.

Ah que bacana, mais essa pra fechar a carga emocional intensa que foi essa viagem! Maria João estava preocupada com o público. Muitas pessoas que iam, estavam desistindo em função do jogo. E não necessariamente para assistir ao jogo. O problema é que como sempre existe o risco de haverem confusões próximas ao estádio, a polícia já estava se preparando, algumas estações do metro estariam fechadas. Enfim, a mobilidade por ali ficaria difícil, seja de carro ou de transporte público.

Fiquei com muito medo de não aparecer ninguém ou de aparecerem tão poucas pessoas que fosse difícil fazer. Mas continuei nos preparativos! Marina estava muito colaborativa! Na verdade, tirando o episódio do dia anterior, ela foi ótima! Entendeu e respeitou meu trabalho o tempo todo. Muito lindo de ver! Muito especial que ela tenha estado ali vivendo tudo isso comigo. Nos minutos que antecederam a apresentação, ela se preparou comigo, alongando e aquecendo o corpinho! Foi demais!

E, tinha público! Podia não ser a quantidade esperada ou a quantidade que a Casa está acostumada! Mas tinha! Um público contido, reservado, tímido, lisboeta! Uma portuguesinha linda quis entrar em cena, contornei a situação e ela ficou vidrada durante o espetáculo todo.

A Érica, minha prima, assistiu! Ah como é bom ter família na plateia (por isso eu levei Marina). Percebi ela segurando o riso muitas vezes. Como o ambiente estava bem silente, nenhuma grande risada se destacava. Me preocupei a princípio. Mas depois segui o jogo! Senti, que de um modo ou de outro, eles estavam comigo. Mesmo que contidos!

E estavam mesmo! No final, todas as pessoas que estavam na plateia, eu disse TODAS AS PESSOAS QUE ESTAVAM NA PLATEIA, vieram falar comigo, me parabenizar e me dizer o quanto gostaram do trabalho. Ah, que especial que foi. A mãe da portuguesinha que entrou em cena me disse inclusive para não reparar no jeito deles. “Eu estive no Brasil esse ano, sei que vocês são mais abertos. Mas nosso jeito é diferente, gostamos muito do seu trabalho”. Ela ainda salientou que achou incrível que a filha tenha assistido com tanto interesse. “Se agrada às crianças é porque é bom!”. Ah, eu concordo com ela! Que difícil agradar esse público tão exigente que são as crianças. Que alegria ter conquistado isso com esse espetáculo!

E aí era chegada a hora mais difícil. A hora de empacotar tudo de vez, para voltar ao Brasil! Ai que nó na garganta. Foram dias tão intensos, tão especiais! Não parecia terem sido só quinze dias. Parece que vivemos pelo menos três meses lá. Voltei pra minha casa meio sem lembrar como ela estava. Estranhei até meu carro.

Mesmo depois de tudo embalado, ainda tínhamos tempo para passeio. Fechamos as malas e não pensamos duas vezes. Bóra curtir mais de Lisboa! O voo sairia só às 23h. Então, passeamos a tarde toda, para ir direto para o aeroporto depois. Para encarar atraso de uma hora na saída de Lisboa. E depois 12 horas de voo, sendo duas horas extras só rodando em cima de Campinas esperando o aeroporto abrir. E o aeroporto não abrir. E depois pousarmos em Guarulhos, enfrentando horas de fila no guichê da Azul, até eles nos levarem de van as pressas para não perder o voo em Campinas, para finalmente chegar na nossa casa em Londrina. Depois de pelo menos 30 horas na rua, entre passeio, esperas e aeroporto!

Dessa vez foi o Lucio a precisar de atendimento médico. Que saga! Mas estamos todos bem! Agora só sofro de saudade de Portugal e de tantos momentos especiais que vivi ali! Mas já estou aqui me preparando para o próximo destino (vou revelar em breve). Porque afinal de contas, Frida que segue!

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