Portugal Parte 6 – Festival Internacional de Palhaças

Quando eu já achei que estava no Festival somente para passear, veio um pedido de última hora. Uma visita a um centro de pessoas com deficiências mentais. Cheguei para almoçar e a Eva me pediu para fazer essa ação. E disse que ela iria e que seria uma oportunidade de jogarmos juntas!

Eu tinha prometido passear com Marina e Lucio aquela tarde, mas como falar não a um pedido do Festival? Almocei rapidão, fui buscar minhas coisinhas para seguir para essa atividade. (Marina e Lucio foram compreensivos).

A gente se trocou na sede do Festival (um castelo <3) e, diferente de como tinha sido com Enne, não combinamos nada. Eu até tentei. Mas a Eva disse para deixar rolar! Ela tem um grupo que visita lares de idosos lá em Portugal. E segue essa linha de esperar mais da relação com o outro do que de levar ao pronto. A Sue, canadense iria com a gente para completar esse jogo!

Eu estava morrendo de medo (ah, que novidade). Fazer uma visita assim, para um público que não estou nem um pouco acostumada, sem o meu jaleco, sem minhas coisinhas (que, sem querer, esqueci no castelo). Mas me permiti! E segui a Eva, que tem um jogo muito diferente do meu, com quem eu pude aprender muito!

Foi muito legal! Visitamos salinhas pequenas em que as pessoas estavam fazendo atividades manuais. Com cada um o jogo rolou diferente. Destaque para uma menina, bem novinha que se aproximou bastante de mim. Ficamos bem amigas! Uma fofa! E outra mulher, já mais velha que falava muito comigo, mas eu não entendia nada que ela falava. Até que comecei a falar também e dialogamos uma conversinha boa. E quando comecei a entender, foi melhor ainda! Ela falava coisas bem profundas.

No dia seguinte, ainda dei o workshop Comunicação e Auto Cuidado Através da Palhaça. Esse já estava programado desde o início, mas quase foi cancelado por ter poucos participantes. Era um curso para não-palhaças, aberto a comunidade, mas teve pouca adesão.

Eu topei fazer com um número de pessoas muito menor do que o mínimo que eu tinha estabelecido. Para não deixar de fazer e para respeitar os que já estavam inscritos. O fato de ter menos gente impactou um pouco nos exercícios, que são pensados no coletivo. Maaaaaas, nada impactou tanto quanto o fato de sermos em seis pessoas, e cinco nacionalidades. Entre os participantes, uma canadense, um espanhol, duas portuguesas e uma italiana. Que confusão!

Achei bem difícil lidar com isso, mas a experiência foi boa! Não sei se todos conseguiram se entender ou me entender (eu mesma não entendi algumas coisas), mas senti que algumas pessoas foram tocadas! E isso foi importante!

Durante o Festival pude encontrar, conhecer e conversar com várias palhaças. Algumas bem experientes, outras começando. Mas foi tão maravilhoso perceber o quanto somos parecidas e completamente diferentes ao mesmo tempo. Cada uma com seu espetáculo (infelizmente não vi todos), cada uma com seu universo na palhaçaria. Num mundinho próprio e tão particular! E todas na mesma ansiedade pelo Bolina. Sem dormir nas semanas que antecederam o Festival! Com frio na barriga! Tomando floral e tentando segurar a onda de estar num Festival Internacional de Palhaças. Todas querendo muito uma risada, um aplauso. Todas buscando afetar e serem amadas por essa menor e mais linda máscara do mundo que é o nariz vermelho.  

Fiquei pensando sobre isso de um festival só de palhaças. Por um lado, pensava que era a hora de unir, de buscar equidade, de não fazer um festival exclusivamente feminino. Por outro, entendo perfeitamente a necessidade de um festival só de palhaças, para fazer história, para marcar a presença feminina na palhaçaria. Agora, tendo acabado de chegar de um Festival só de palhaças tão singular, fico pensando como seria se fosse um festival misto. Penso que esse negócio de sororidade é uma coisa do feminino mesmo! E foi lindo vivenciar isso.

Ainda não sei bem o que pensar sobre isso. Só sei que foi uma sensação muito boa estar ali e sentir tudo isso. Uma mulher cuidando da outra. A palhaça que é mãe e estava preocupada com o filho doente em casa, aquela que precisa de mais horas de descanso por uma fragilidade. Aquela que precisa de uma acessibilidade especial por ser idosa e tantas outras. E todas juntas, na mesma vibração gostosa que o nariz vermelho nos traz!

(continua – sei que está ficando um longo relato, mas ainda tenho muita coisa para contar!)

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