Portugal Parte 5 – Hospital é hospital aqui e em Portugal

Sim, o Festival estava só começando pra mim! Aos poucos fui entendendo a dinâmica, me aproximando das palhaças. Sempre, ao final do último espetáculo do dia, havia uma reunião, para contar as experiencias do dia e combinar as ações do dia seguinte. Foi numa dessas reuniões que a Maria (coordenadora do Festival) abriu vagas para uma visita ao Hospital de Portalegre. Nenhuma palhaça “se inscreveu”. Ela passou a outros tópicos, mas foi logo avisando que o hospital não poderia ficar sem visita, portanto, ela mesma iria, com mais alguém, claro!

Aí fui sentindo que era assim que a coisa funcionava. Que todas estavam ali para fazer um pouquinho e que eu poderia me oferecer para ir ao hospital! Então, me ofereci! Ela recebeu minha oferta com um sorrisão. E no mesmo instante Enne Marx, (a Mary Enn do Doutores da Alegria de Recife) disse que iria comigo! Pronto! Estava formada a dupla! Ane e Enne!

Fingi normalidade ali no meio delas todas, mas estava explodindo por dentro. Eu sei quem é a Dra. Mary Enn já faz uns bons anos. Por acompanhar do trabalho dos Doutores da Alegria e, também, outros projetos que ela encabeça. Ela é uma referência! Resultado, frio na barriga imenso de pensar em atuar com ela no dia seguinte!

A primeira coisa que ela me perguntou foi se eu tocava algum instrumento! Tocar não, mas eu canto! Eu canto, gente! Hahaha! Quem me conhece de perto sabe que cantar é bem difícil para mim… Mas não pensei duas vezes! Sim, eu canto!

E lá fomos nós ao hospital! Um lugar realmente grande, imenso, enorme! Com um milhão de alas e todo tipo de patologias. Enne e eu temos experiência com crianças, mas, estávamos ali para o que desse e viesse! E era uma enfermeira que diria onde iríamos! A gente só não queria ir na psiquiatria, porque, né, talvez não nos deixassem sair. Brincadeiras à parte, eu nunca visitei uma ala de psiquiatria, Enne também não. A gente tinha um bocado de medo de como poderia ser e portanto, não queria ir lá.

Fomos muitíssimo bem recebidas logo na chegada! Com uma sala já esperando por nós para nosso famoso troca-troca. Enne e eu combinamos umas coisinhas, definimos outras. Apresentamos algumas musiquinhas uma pra outra. Ensaiamos algumas delas! E lá fomos!

Começamos pela pediatria. Lugar melhor não haveria. E logo de cara, um garotinho chamado Afonso, chorou de pânico!  Mas, insistentes que somos, não desistimos! Aos poucos fui sentindo uma brecha, fui entrando no quarto, brincando com o menino. Mary Enn veio junto e a relação se fez. Ao irmos embora, Afonso já estava de pé, correndo pelos corredores a nos seguir!

Mas, na pediatria foi só! Seguimos dali para a ortopedia. Muitos pacientes adultos. Na sua maioria idosos, com fraturas, fisioterapias, etc! Começamos bem, com uma senhorinha muito receptiva. E, fomos seguindo, com muitos sorrisos e um ou outro olhar invertido. Mas, aí aprendi uma lição muito boa com a Mary Enn. Ela insiste! Em muitos momentos nos quais eu teria desistido, ela encontra uma aberturazinha, se agarra a ela e vai! E no final, o que temos é uma relação linda estabelecida entre a palhaça e o paciente! Foi muito bonito participar disso!

Essa insistência boa foi fundamental no setor seguinte. Adivinha? Psiquiatria, claro! Tô de um jeito que não posso pensar em não querer algo que esse algo vai logo acontecendo. Portanto, lá fomos à psiquiatria. Eu já estava bem cansada, tinha sido tudo bem longo até aqui.

No momento que entramos, um homem nos viu e começou a chorar. Pensei, e agora? Ele chorava, alto, emocionado, sem parar. Afastaram-no um pouco, interagimos com outros pacientes. Velhos, novos, homens, mulheres! Cantamos muito, sem parar, em looping. Alguns se abriram logo, outros demoraram um pouco. Mas a relação se fez! Foi muito bonito.

E aí o chorão voltou. E começou a cantar também, adivinha o hit? Temporal de Amor, amiguinhos! Sim, Leandro e Leonardo. Claro que precisei pesquisar o nome da música, maaaas, na hora de cantar, sabia na ponta da língua! Então fizemos um trio, Mary Enn, o chorão e eu! “Quando você chegaaaaar, tira essa roupa molhada, quero ser a toalha e o cobertor…….”

Poesia pura! Conexão linda! Mary Enn ainda virou pra ele e falou, agora chega! Engole esse choro! Tá tudo bem. E ele engoliu! E ficou bem! Foi lindo! No final ainda teve uma passagem bônus na quimioterapia com uma música que eu amo e um jogo bem grande, com muitas pessoas envolvidas!

Foi um momento bem especial estar num hospital tão longe de casa. Tão diferente e tão igual aos hospitais que estou acostumada no Brasil. Que saudade senti dos meus parceiros! E quanto orgulho e honra trazer no meu jaleco o Plantão Sorriso! Como amo esse grupo e esse trabalho!

Enne foi incrível! Muito generosa! Elogiou minha experiência e tudo! Fiquei me achando! Na reunião da noite, contamos nossa experiência! Uma das participantes tinha nos acompanhado, Maria João. Segundo ela, o jogo foi ótimo! Dava pra ver que Enne e eu tínhamos experiência e jogamos muito bem juntas!

 Eu achei que já era tudo! Mas o Festival ainda me reservava outras coisinhas, claro! Volto pra contar em breve!

(Continua)

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